Arquivo de Novembro, 2009

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Não quero viver sem ti

Novembro 27, 2009

Não quero viver sem ti

mais nenhum tempo.

Nem sequer um segundo

do teu sono.

Encostar-me toda a ti

eu não invento.

Tu és a minha vida

o tempo todo.

Maria Teresa Horta

Imagem: Kimia Ferdowsi

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Dedicatória

Novembro 26, 2009

O ar, amor —

este ar que eu te respiro.

Soares Feitosa

Imagem: Jean Bailly

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Strip-tease

Novembro 24, 2009

Jamais eu ficaria quieto
sob o teu olhar;

que muito menos quietos,
no direito de ir e vir,
sobre o teu corpo,
seriam os meus olhos lívidos.

Porque sobre mim,
bastam os sons
dos teus vestidos:
já me desvestem a alma.

Soares Feitosa

Imagem: Gilles Cotelle

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Calam-se as palavras

Novembro 20, 2009

Calam-se as palavras

Quando num beijo,

A minha boca, a tua encontra.

Esquecemse as palavras

Quando num abraço,

O meu corpo, tornas o teu.

Como é simples o silêncio

Dos gestos que trocamos.

Encandescente

Imagem: Nicoletta Tomas Caravia

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Modo de amar IX

Novembro 19, 2009

Enlaçam as pernas
as pernas
e as ancas

o ar estagnado
que se estende
no quarto

As pernas que se deitam
ao comprido
sob as pernas

E sobre as pernas vencem o gemido

Flor nascida no vagar do quarto.

Maria Teresa Horta

Imagem: Nicoletta Tomas Caravia

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Dor

Novembro 18, 2009

Seu nome esqueci sim

Só dói quando chamo

Por mim

Alice Ruiz

Imagem: Marta Dianes Alpresa

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Inscrição

Novembro 17, 2009

Quando eu morrer voltarei para buscar

os instantes que não vivi junto ao mar

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem: Kimia Ferdowsi

Homenagem à tia Natália que hoje nos deixou.

Muitas saudades.

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Corpo-mundo

Novembro 15, 2009

Que caminhos do teu corpo não conheço

À sombra de que vales não dormi,

Que montanhas não escalei, que lantejoulas

Não abarquei nos olhos dilatados,

Que torrentes não passei, que rios fundos

A nudez do meu corpo não transpôs,

Que praias perfumadas não pisei,

Que selvas e jardins, que descampados ?

José Saramago

Imagem: José Luis Abasolo

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As tuas mãos

Novembro 11, 2009

Como podem tuas mãos ser em mim fogo e água

E atearem labaredas e correrem como um rio

E matarem minha sede e serem fogo e arrepio

E serem chama e calor

E serem húmidas brasas

E serem sólidos os teus dedos

E em mim nascerem asas

E voar nas tuas mãos

Fogo, água e arrepio

Tremer ardendo de paixão

E desfazer-me em gotas de água

Entre os teus dedos

Nas tuas mãos

Minha prisão e minhas asas.

Encandescente

Imagem: Meneses Martins

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Não basta

Novembro 10, 2009

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Não.

Não basta saber que existes.

É como estar sedenta

E saber que existe água

É como estar faminta

E saber que há pão

É doer, definhar

E saber que existe um bálsamo.

Não.

Não basta saber que existes

É preciso que estejas

Encandescente

Imagem: Xu Bin