Arquivos para a Categoria ‘António Ramos Rosa’

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Figura

Setembro 20, 2009

A tua figura desperta a minha energia subtil

e ascende à primeira forma sublime e simples.

Primavera do mundo e aromático barco

e na palma da mão a delicada inicial.

Neste instante as luzes são passagens transparentes

e eu coloco o teu ventre novamente na paisagem.

Venho de ti e vou para ti antes do primeiro jacto

num côncavo seio na cúpula do segredo,

que é tão fechado como a não respiração

e que se abre no rosto dos meus membros.

António Ramos Rosa

Imagem: Madison Moore

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Apenas areia

Março 31, 2009

Sou o pó

E vou no vento

Através de rios

E montes

Vou no vento

E talvez eu pouse

Talvez encontre

O mel as areias

Do teu corpo

Trazidas pelo vento

António Ramos Rosa

Imagem: Zab

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Amor da palavra, amor do corpo

Março 29, 2009

A nudez da palavra que te despe.

Que treme, esquiva.

Com os olhos dela te quero ver,

que te não vejo.

Boca na boca, através de que boca

posso eu abrir-te e ver-te?

É meu receio que escreve e não o gosto

do sol de ver-te?

Todo o espaço dou ao espelho vivo

e do vazio te escuto.

Silêncio de vertigem, pausa, côncavo

de onde nasces, morres, brilhas, branca?

És palavra ou és corpo unido em nada?

É de mim que nasces ou do mundo solta?

Amorosa confusão, te perco e te acho,

à beira de nasceres tua boca toco

e o beijo é já perder-te.

António Ramos Rosa

Imagem: Laurence Dreano