Arquivos para a Categoria ‘José Saramago’

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Teu corpo de terra e água

Julho 19, 2010

Teu corpo de terra e água
Onde a quilha do meu barco
Onde a relha do arado
Abrem rotas e caminho

Teu ventre de seivas brancas
Tuas rosas paralelas
Tuas colunas teu centro
Teu fogo de verde pinho

Tua boca verdadeira
Teu destino minha alma
Tua balança de prata
Teus olhos de mel e vinho

Bem que o mundo não seria
Se o nosso amor lhe faltasse
Mas as manhãs que não temos
São nossos lençóis de linho.

José Saramago

Imagem: Mieke Chantrell

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Estudo de nu

Junho 20, 2010

Essa linha que nasce nos teus ombros,
Que se prolonga em braço, depois mão,
Esses círculos tangentes, geminados,
Cujo centro em cones se resolve,
Agudamente erguidos para os lábios
Que dos teus se desprenderam, ansiosos.

Essas duas parábolas que te apertam
No quebrar onduloso da cintura,
As calipígias ciclóides sobrepostas
Ao risco das colunas invertidas:
Tépidas coxas de linhas envolventes,
Contornada espiral que não se extingue.

Essa curva quase nada que desenha
No teu ventre um arco repousado,
Esse triângulo de treva cintilante,
Caminho e selo da porta do teu corpo,
Onde o estudo de nu que vou fazendo
Se transforma no quadro terminado.

José Saramago

Imagem: Yuanda

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Intimidade

Abril 25, 2010

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago

Imagem: Vladimir  Dunjic

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Fim e recomeço

Março 5, 2010

Não pode ser luar esta brancura

Nem aves batem asas sobre o leito

Neste quebrar de corpos fatigados

Será em mim o sangue que murmura

Em ti serão as luas do teu peito

Nos jogos do amor recomeçados

José Saramago

Imagem: Leslie Marcus

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Corpo-mundo

Novembro 15, 2009

Que caminhos do teu corpo não conheço

À sombra de que vales não dormi,

Que montanhas não escalei, que lantejoulas

Não abarquei nos olhos dilatados,

Que torrentes não passei, que rios fundos

A nudez do meu corpo não transpôs,

Que praias perfumadas não pisei,

Que selvas e jardins, que descampados ?

José Saramago

Imagem: José Luis Abasolo

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Arte de amar

Junho 14, 2009

Metidos nesta pele que nos refuta,

Dois somos, o mesmo que inimigos.

Grande coisa, afinal, é o suor

(Assim já o diziam os antigos):

Sem ele, a vida não seria luta,

Nem o amor amor.

José Saramago

Imagem: Jay Alders

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Estudo de nu

Junho 1, 2009

Essa linha que nasce nos teus ombros,
Que se prolonga em braço, depois mão,
Esses círculos tangentes, geminados,
Cujo centro em cones se resolve,
Agudamente erguidos para os lábios
Que dos teus se
desprenderam, ansiosos.

Essas duas parábolas que te apertam
No quebrar onduloso da cintura,
As calipígias ciclóides sobrepostas
Ao risco das colunas invertidas:
Tépidas coxas de linhas envolventes,
Contornada espiral que não se extingue.

Essa curva quase nada que desenha
No teu ventre um arco repousado,
Esse triângulo de treva cintilante,
Caminho e selo da porta do teu corpo,
Onde o estudo de nu que vou fazendo
Se transforma no quadro terminado.

José Saramago

Imagem: James Gwynne

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