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Ternura

Julho 2, 2008

Desvio dos teus ombros o lençol,

que é feito de ternura amarrotada,

da frescura que vem depois do sol,

quando depois do sol não vem mais nada…

*

Olho a roupa no chão: que tempestade!

Há restos de ternura pelo meio

como vultos perdidos na cidade

em que uma tempestade sobreveio…

*

Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo…

*

Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira, Obra Poética

Imagem: Andrew Atroshenko 

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