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Femina

Outubro 7, 2008

Não lavei os seios

pois tinham o calor

da tua mão.

Não lavei as mãos

pois tinham os sons

do teu corpo.

Não lavei o corpo

pois tinha os rastros

dos teus gestos;

tinha também, o meu corpo

a sagrada profanação

do teu olhar

que não lavei.

Nem aqueles lençóis,

não os lavei,

nem os espelhos

que continuam

onde sempre estiveram:

porque eles nos viram

cúmplices, e a paixão,

no paraíso,

parece que era.

Lavei, sim,

lavei e perfumei

a alma, em jasmim,

que é tua, só tua,

para te esperar

como se nunca tivesses ido

a nenhum lugar:

donde apaguei

todas as ausências

que apaguei

ao teu olhar.

Soares Feitosa

Arte de Pascale Pratte

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