Archive for Dezembro, 2008

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Cala-te, a luz arde entre os lábios

Dezembro 31, 2008

Cala-te, a luz arde entre os lábios,

e o amor não contempla, sempre

o amor procura, tacteia no escuro,

subo por ti de ramo em ramo,

respiro rente à tua boca,

abre-se a alma à língua, morreria

agora se mo pedisses, dorme,

nunca o amor foi fácil, nunca,

também a terra morre.

Eugénio de Andrade

Arte de Anna Razumovskaya

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I can’t help falling in love

Dezembro 30, 2008

“Wise men say, only fools rush in.

But I can’t help falling in love with you

Shall I stay? Would it be a sin?

I can’t help falling in love with you…”

UB40, Can’t help falling in love

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Do teu cheiro

Dezembro 29, 2008

O teu gosto na minha boca

mel que sacia meus desejos

na hora derradeira

do medo de te perder

em meio nos lençóis.

O teu cheiro impregnado

no meu corpo

perfume raro que nem a chuva

leva de mim…

Ademir Antônio Bacca

Arte por Maciej Urbaniak

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A luz que vibre

Dezembro 28, 2008

A luz que vibre

sobre o teu rosto

O mar que oscile

sob os teus ombros

O que me atinge

vem de mais longe

lá dos confins

em que te sonho

David Mourão-Ferreira

Arte de  Rébecca Dautremer

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Epigrama n.º8

Dezembro 27, 2008

Encostei-me a ti,

sabendo que eras somente onda.

Sabendo bem que eras nuvem

depus a minha vida em ti.

Como sabia bem tudo isso,

e dei-me ao teu destino frágil,

fiquei sem poder chorar,

quando caí.

Cecília Meirelles

Imagem:  Alexander Klevan

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Duas faces

Dezembro 26, 2008

Sou o espanto

sou a dor

sou o desencanto.

No entanto,

tão serena

sou amor, só amor.

Odaísa T. do Nascimento Narcizo

Arte de  Romuald Marecaux 

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Last Christmas

Dezembro 25, 2008

“Last Christmas I gave you my heart,

But the very next day,

You gave it away, (you gave it away)

This year, to save me from tears,

I’ll give it to someone special, (special)…”

Wham, Last Christmas


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Para ti

Dezembro 24, 2008

Foi para ti

que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que talhei

o sabor do sempre

Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos

simplesmente porque era de noite

e não dormíamos

eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos

vivendo de um só

amando de uma só vida

Mia Couto

Arte de Charles Dwyer

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No leito estreito da redondilha

Dezembro 23, 2008

Teu corpo claro e perfeito,

– Teu corpo de maravilha,

Quero possuí-lo no leito

Estreito da redondilha…

Teu corpo é tudo o que cheira…

Rosa… flor de laranjeira…

Teu corpo, branco e macio,

É como um véu de noivado…

Teu corpo é pomo doirado…

Rosal queimado do estio,

Desfalecido em perfume…

Teu corpo é a brasa do lume…

Teu corpo é chama e flameja

Como à tarde os horizontes…

É puro como nas fontes

A água clara que serpeja,

Quem em antigas se derrama…

Volúpia da água e da chama…

A todo o momento o vejo…

Teu corpo… a única ilha

No oceano do meu desejo…

Teu corpo é tudo o que brilha,

Teu corpo é tudo o que cheira…

Rosa, flor de laranjeira…

Manuel Bandeira

Arte de Amelia Garrick Grave

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Entre o Sol e a Lua

Dezembro 22, 2008

“…Se hoje te dissesse que o sol brilha só para ti

Que as nuvens partiram e levaram a sombra que nos

tentou afastar.

O dia vai acabar

Vou oferecer-te o luar

Porque o céu não é de ninguém…”

Ricardo Azevedo, Entre o Sol e a Lua