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Tu choravas

Dezembro 18, 2008

Tu choravas e eu ia apagando

com os meus beijos os rastos das tuas lágrimas

– riscos na areia mole e quente do teu rosto.

Choravas como quem se procura.

E eu descobria mundos, inventava nomes,

enquanto ia espremendo com as mãos

o meu sangue todo no teu sangue.

Não sei se o mundo existia e nós

existiamos realmente.

Sei que tudo estava suspenso,

esperando não sei que grave acontecimento,

e que milhares de insectos paravam e

zumbiam nos meus sentidos.

Só a minha boca era uma abelha inquieta

percorrendo e picando o teu corpo de beijos.

Depois só dei pela manhã,

a manhã atrevida,

entrando devagar, muito devagar e

acordando-me.

Desviei os meus olhos para ti:

ao longo do teu corpo morriam as estrelas.

A noite partira. E, lentamente,

o sol rompeu no céu da tua boca.

Albano Martins

Arte de Erhard Loblein

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