Archive for Março, 2009

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Apenas areia

Março 31, 2009

Sou o pó

E vou no vento

Através de rios

E montes

Vou no vento

E talvez eu pouse

Talvez encontre

O mel as areias

Do teu corpo

Trazidas pelo vento

António Ramos Rosa

Arte de  Fanny Nushka Moreaux

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Pele

Março 30, 2009

Temos a mesma pele,

descobri anos depois.

É isso que nos impele

a sermos um, sendo dois.

Amar é ter a mesma pele,

o resto vem depois.

(E não falo da cor,

que é indiferente no amor).

Torquato da Luz

Imagem: Laurence Dreano

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Amor da palavra, amor do corpo

Março 29, 2009

A nudez da palavra que te despe.

Que treme, esquiva.

Com os olhos dela te quero ver,

que te não vejo.

Boca na boca, através de que boca

posso eu abrir-te e ver-te?

É meu receio que escreve e não o gosto

do sol de ver-te?

Todo o espaço dou ao espelho vivo

e do vazio te escuto.

Silêncio de vertigem, pausa, côncavo

de onde nasces, morres, brilhas, branca?

És palavra ou és corpo unido em nada?

É de mim que nasces ou do mundo solta?

Amorosa confusão, te perco e te acho,

à beira de nasceres tua boca toco

e o beijo é já perder-te.

António Ramos Rosa

Imagem: Laurence Dreano

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Espelho

Março 28, 2009

Fique em sossego o cálice vermelho

da impetuosa flor chamada instinto.

Quero o teu coração para meu espelho,

pois no teu coração não me desminto.

David Mourão Ferreira

Arte de Konovalovas Evgenijus

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Poema de amor

Março 21, 2009

Este é o poema do amor.

O poema que o poeta propositadamente escreveu

só para falar de amor,

de amor,

de amor,

de amor,

para repetir muitas vezes amor,

amor,

amor,

amor.

Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico

contar as palavras que o poeta escreveu,

tantos que,

tantos se,

tantos lhe,

tantos tu,

tantos ela,

tantos eu,

conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu

foi amor,

amor,

amor.

Este é o poema do amor.

António Gedeão

Imagem: Terry Frost

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How to save a life

Março 19, 2009

“Step one you say we need to talk

He walks you say sit down it’s just a talk

He smiles politely back at you

You stare politely right on through

Some sort of window to your right

As he goes left and you stay right

Between the lines of fear and blame

And you begin to wonder why you came…”

The Fray, How to save a life

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Amor Amante

Março 18, 2009

Ah, esse teu perfume que me deixa

saudade e desperta doce lembrança,

ainda está em minhas mãos…

*

Ah, esse teu olhar que minh’alma invade

e me desnuda a ser em louco desejo,

e desperta doce lembrança,

ainda está em meu olhar…

*

Ah, esse teu corpo que se entrega

e se perde na carícia, no beijo,

e que recebe meu corpo quase cego,

e desperta doce lembrança,

ainda sinto ao meu lado…

*

Ah, esse amor que me consome,

maltrata sufoca e conforta,

é alimento, é vida, sabor de pecado…

faz renascer minh’alma quase morta…

*

Ah, essa saudade que sinto a

todo instante…

e desperta doce lembrança,

a certeza de que vivo,

de que amo… e sou amante…

Carlos Saad

Imagem: Jean Moulin