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O corpo não espera

Abril 25, 2009

O corpo não espera. Não. Por  nós

ou pelo amor. Este pousar de mãos,

tão reticente e que interroga a sós

a tépida secura acetinada,

a que palpita por adivinhada

em solitários movimentos vãos;

este pousar em que não estamos nós,

mas uma sede, uma memória, tudo

o que sabemos de tocar desnudo

o corpo que não espera; este pousar

que não conhece, nada vê, nem nada

ousa temer no seu temor agudo.

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,

quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge de Sena

Imagem: Tina Jones

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One comment

  1. O corpo tem a pressa do tempo.
    O amor não sabe o que é tempo.
    Lindo poema!

    Beijos,



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