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A sofreguidão de um instante

Setembro 13, 2009

Tudo renegarei menos o afecto,

e trago um ceptro e uma coroa,

o primeiro de ferro, a segunda de urze,

para ser o rei efémero

desse amor único e breve

que se dilui em partidas

e se fragmenta em perguntas

iguais às das amantes

que a claridade atordoa e converte.

Deixa-me reinar em ti

o tempo apenas de um relâmpago

a incendiar a erva seca dos cumes.

E se tiver que montar guarda,

que seja em redor do teu sono,

num êxtase de lábios sobre a relva,

num delírio de beijos sobre o ventre,

num assombro de dedos sob a roupa.

Eu estava morto e não sabia, sabes,

que há um tempo dentro deste tempo

para renascermos com os corais

e sermos eternos na sofreguidão de um instante.

José Jorge Letria

Imagem: Ismael Nery

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