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Figura

Setembro 20, 2009

A tua figura desperta a minha energia subtil

e ascende à primeira forma sublime e simples.

Primavera do mundo e aromático barco

e na palma da mão a delicada inicial.

Neste instante as luzes são passagens transparentes

e eu coloco o teu ventre novamente na paisagem.

Venho de ti e vou para ti antes do primeiro jacto

num côncavo seio na cúpula do segredo,

que é tão fechado como a não respiração

e que se abre no rosto dos meus membros.

António Ramos Rosa

Imagem: Madison Moore

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One comment

  1. Nenhum amor cabe num só corpo ainda que as veias abarquem o tamanho do mundo; sempre um desejo fica de fora, outro soluça e contudo falta. Sabe-o o mar no seu lamento solitário e a terra que busca os restos da sua estátua; não basta um só corpo para albergar as suas noites, algumas estrelas ficam fora do sangue. Nenhum amor cabe num só corpo, ainda que a alma se aparte e ceda espaço e o tempo nos entregue as horas que retém. Duas mãos não nos bastam para alcançar a sombra, dois olhos vêem apenas poucas nuvens mas não sabem onde vão nem donde vêm, que país musical as une e as dispersa. Nenhum amor, nem o mais fugidio, o mais fugaz, nasce num corpo que está só, ninguém cabe no tamanho da sua morte.
    António Ramos Rosa



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