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De noite amada

Março 11, 2010

De noite, amada, prende o teu coração ao meu
e que no sono eles dissipem as trevas
como um duplo tambor combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.

Nocturna travessia, brasa negra do sono
interceptando o fio das uvas terrestres
com a pontualidade dum comboio desvairado
que a sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.

Por isso, amor, prende-me ao movimento puro,
à tenacidade que tem em teu peito bate
com as asas dum cisne submerso,

para que às perguntas estreladas do céu
responda o nosso com uma única chave,
com uma única porta fechada pela sombra.

Pablo Neruda

Imagem: Renata Domagalkas

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