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Cântico

Junho 30, 2010

Num impudor de estátua ou de vencida,
Coxas abertas, sem defesa…, nua
Ante a minha vigília, a noite, e a lua,
Ela, agora, descansa, adormecida.

Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
Meu olhar doce desce aonde o sexo estua.
Choro… e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
Sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos…,
Enquanto o luar a nimba, inerte, gasta
Da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos…
E eu pouso a boca, religiosa e casta,
Sobre a flor esmagada do seu sexo.

José Régio

Imagem: Franco Anselmi

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2 comentários

  1. um clássico que sabe sempre bem ler;)


  2. Qualquer coisa que eu disser aqui sobre este poema de Régio, será tão insignificante que não alcançará o que de verdadeiro me causou.

    Digo, então, belo!

    Basta assim!

    Inês



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