Archive for Julho, 2012

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Amor que mata

Julho 16, 2012

Está em mim
O amor que é teu
O amor que me fere…
Tortura-me…
E me deixa frágil
E me faz poeta…

Em silêncio vivo,
Disfarço
Guardo na noite inquieta
Sentimento forte, louco…

E aos poucos
Vou morrendo… e tu nem sabes
Que estou querendo, apenas,
Estar nos teus sonhos noturnos.

António Carlos Menezes

Arte de Andrius Kovelinas

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Dá a surpresa de ser

Julho 15, 2012

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louco escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

Fernando Pessoa

Arte por Suhair Sibai

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Fatalidade

Julho 13, 2012

Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
… Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.

Como prender-te
em teia tão frágil?

Luisa Dacosta

Imagem: Almada Negreiros

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Tudo é o olhar

Julho 12, 2012

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais…

(Agora leia de baixo para cima)

Clarice Lispector

Imagem: Akzhana Abdalieva

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Rosa Sangue

Julho 11, 2012

Ninguém te vai parar
Perguntar…
Fazer, saber… porquê
Vais ter de te oferecer
Entender,
O que fará viver
Vê…
Não basta ir
Voar, seguir
O cerco ao fim
Aperta, trai
Morde, engana a sorte cai
Não lembra de ti
É só amor desfeito
Rosa Sangue ao peito
Lágrima que deito
Sem voltar atrás
Cresce e contamina
Tolhe a luz à vida
E afinal ensina, quebra,
Dobra a dor e entrega
Amor sincero
Honra tanto esmero
Cala o desespero é simples
Tudo o que é da vida
Herdou sentido
Tem-te se for tido
Sabe ser vivido
Fala-te ao ouvido
E nasces tu…

Amor Electro

Letra: Jorge Cruz

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Sonhei contigo

Julho 11, 2012

Sonhei contigo embora nenhum sonho

possa ter habitantes tu, a quem chamo

amor, cada ano pudesse trazer

um pouco mais de convicção a

esta palavra. É verdade o sonho

poderá ter feito com que, nesta

rarefacção de ambos, a tua presença se

impusesse – como se cada gesto

do poema te restituísse um corpo

que sinto ao dizer o teu nome,

confundindo os teus

lábios com o rebordo desta chávena

de café já frio. Então, bebo-o

de um trago o mesmo se pode fazer

ao amor, quando entre mim e ti

se instalou todo este espaço –

terra, água, nuvens, rios e

o lago obscuro do tempo

que o inverno rouba à transparência

da fontes. É isto, porém, que

faz com que a solidão não seja mais

do que um lugar comum saber

que existes, aí, e estar contigo

mesmo que só o silêncio me

responda quando, uma vez mais

te chamo.

Nuno Júdice

Imagem: Jean Claude Dresse

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Amor e poesia

Julho 9, 2012

Nos finais de tarde,
aquieto-me com meus versos,
e em silêncio amo-te.

António Carlos Menezes

Arte de Patricia Leroux