Archive for 4 de Junho, 2013

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Poema septuagésimo nono

Junho 4, 2013

Amachuco o azul com toda a força

até ser feliz. E beijo a minha própria boca

com as tuas palavras, frutos de uma paixão

que nunca me separou do fogo, mesmo quando

as minhas mãos alisam a pele do mar

para dentro de ti encurtar a distância

que me separa já da juventude.

O azul é assim. Um fruto mágico

das árvores do sol, que alimenta e enlouquece

os pássaros do amor, esses mensageiros

dos versos que te escrevo quando

é insuportável a dor da tua ausência.

Joaquim Pessoa

Imagem: Maria Pace-Wynters

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Súplica

Junho 4, 2013

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

Imagem: Lajos Gulácsy