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O nome da entrega

Junho 19, 2013

Alto o lento sabor da boca
No decifrar abstracto do beijo.
Compreender a distância
Entre o querer e ser, moinho de pedra
E trigo na boca faminta.

Desejar a alta claridade da pedra
Do lírio sobre a terra.
Beijar a luz que emana
Sem saber como, nem quando, nem onde,
Mas sim beijar a transparência
No silêncio dos lábios.

Deixar que o corpo se envolva
Pelo chão de toda a planície verde.
Entrar pelo leite das espigas
Nas gotas de um amor ardente.

Lâmina fina, o sol sobre os olhos
A mão nova, que apalpa todos os segredos
Que a luz descobre em todos os recantos
Onde a bruma é mais doce
E mais fresco o sorver da terra.

Alta e branca a claridade do desejo
Basta um fósforo, para incendiar
O ar de teu abstracto nome.
E decifrar no fogo o nome da entrega.

Joaquim Monteiro

Imagem: Ingrid Tusell

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