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Nada

Junho 22, 2013

Nada, nem sequer o verão

está completo. Menos ainda o colar

de sílabas que, desvelado,

te ponho à roda da cintura.

Nunca me pediste mais, nunca

te dei outra coisa.

Quando juntamos as mãos esquecemos

que somos culpados da nossa inocência.

E sorrimos, alheios

ao sol que declina, à estrela

do norte que sabemos no fim.

O privilégio da vida é este

silêncio musical que do teu olhar

cai nos meus olhos

e regressa a ti acrescentado

pela luz da manhã varrendo o mar.

Eugénio de Andrade

Imagem: Bruno Dias

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