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Muitas vezes te esperei, perdi a conta

Agosto 16, 2013

Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
– tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me importa?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Fernando Assis Pacheco in A MUSA IRREGULAR (Ed. Asa, Porto, 1997)

Imagem: Toulouse-Lautrec

Para uma paixão antiga  Mário Ribeiro de Almeida falecido no passado dia 5. 

Com muitas saudades e em dívida pelo chá em minha casa que não aconteceu.

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