Archive for 23 de Agosto, 2013

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As ondas do mar parecem novelos ternos

Agosto 23, 2013

As ondas do mar parecem novelos ternos. O vento aquietou-se, adormeceu.
Sinto que chegas como um novelo onde nunca o frio mora.

Lília Tavares, n PARTO COM OS VENTOS (Kreamus, 2013)

Imagem: Rumen Nikolov

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Na rua

Agosto 23, 2013

Ninguém por certo adivinha
como essa Desconhecida,
entre estes braços prendida,
jurava ser toda minha…

Minha sempre! – E em voz baixinha:
– «Tua ainda além da vida!…»
Hoje fita-me, esquecida
do grande amor que me tinha.

Juramos ser imortal
esse amor estranho e louco…
E o grande amor, afinal,

(Com que desprezo me lembro!)
foi morrendo pouco a pouco,
– como uma tarde de Setembro…

Manuel Laranjeira,

in OBRAS DE MANUEL LARANJEIRA, org., pref. e notas de José Carlos Seabra Pereira (Asa, 1993)

Arte de Aldo Luongo

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Nascemos para amar

Agosto 23, 2013

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atractivo, ó formusura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abismou na lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Arte de Zeng Chuanxing