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Conto de Fadas

Fevereiro 23, 2014

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento…
Trago no nome as letras duma flor…
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento…

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
– Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa do conto: «Era uma vez…»

Florbela Espanca  in Charneca em Flor

(Liv. Gonçalves, Coimbra, 1ª ed., 1931) 

Arte por Carlotta Castelnovi

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