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Último soneto

Abril 21, 2014

Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste…
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi…

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava…

E fugiste… Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?…

Mário de Sá-Carneiro,  in Poesias (Verbo, 2005)

Arte por Irina-Kotova

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