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Nos teus lábios

Agosto 18, 2014

Nos teus lábios
as palavras sabem-me húmidas
como frutos matinais.

Quando clamas pelo meu nome
e soletras as suas consoantes e vogais
ele atinge a doçura ébria dum afago.

Às vezes vislumbro a tua língua,
gata dolente e espreguiçada na pronuncia
serpente serpenteando-me de óbvios desejos.

Eu gosto dela.
Viajo nela, cavalgo nela.
Faço amor com ela.

Nela, com ela atinjo os píncaros
das palavras atordoadas
dos gemidos mais gemidos
dos ais mais sentidos.

A tua língua é a minha casa
o meu chão,
a minha lavra.
É nela que aguardo
a rendição
aflita da palavra.

Miguel Afonso Andersen, in O início das águas

Arte de Santiago Carbonell

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