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Descendo mansamente o rio

Agosto 21, 2014

Descendo mansamente o rio
como quem amargamente saboreia a vida
e de repente
do murmúrio espantado das águas
da serpenteada surpresa das margens
a descoberta de ti.

Ancorada na suspensão das vagas
repousada no líquido leito da corrente,
Ilha. Teu corpo. Mulher.
Verdejante e íngreme perfil.
Prenúncio e íntimo arrepio.

Meu pronto e perpétuo desassossego
turbilhão que me abala o corpo, raiz
perturbada na clara exaltação do ego.

E tanto, tanto mar, para ser feliz.

Miguel Afonso Andersen, in Circum-Navegações”(Raiz perturbada ou a navegação do amor)

Arte de Silvia Pavlova

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