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É por ti que se enchem os rios

Outubro 15, 2014

É por ti que se enchem os rios

de carpas azuis,

de águas que querem saltar

pela minha janela.

Como é belo este silêncio ilimitado

quando nas copas redondas das árvores

o teu nome me chama.

Pedi-te que apagasses a lua

e que nos campos tacteando te encontrasse.

Sei-te na aurora, por isso não temo

e agora a lanterna dos dias pode

por fim ficar em ventos de abraços.

Voam aves dentro dos teus sonhos

como memórias de pétalas acordadas.

Ficas ancorado dentro do meu tempo.

Não há saudade nem solidão

que se não derrube.

Lília Tavares, in Parto com os Ventos, Prefácio de Carlos Eduardo Leal

Arte de O.De Schwilque

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