Archive for Outubro, 2014

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Passeio as mãos pelo teu corpo e sinto-te…

Outubro 12, 2014

Passeio as mãos pelo teu corpo e sinto-te…
Sinto o pulsar do teu coração que bate desenfreado
Sinto a tua respiração num ritmo descontrolado…
Sinto que queres ser minha como eu ser teu
Sinto que és a rainha deste plebeu…
Mas sinto essencialmente a tua pele…
Toda ela é a tua essência
Toda ela é a mulher que foste,
A mulher que és, a mulher que amo:
Pele madura, vivida,
Repleta de marcas do tempo,
Perfeita para mim;
Pele suave, sensível,
Propensa a arrepios,
Beijada até ao fim…
Pele… é tua… é minha… é nossa…
Onde a tua termina, a minha começa…
Quando a tua sente frio, a minha te aquece
Quando a tua sente ardor, a minha te arrefece…
Não preciso de mapa para me orientar
Mas na tua pele ainda me posso perder
Em cada cicatriz, em cada recanto,
Em cada sinal, em cada encanto…
Pele com pele, eu sinto o teu aroma…
Pele com pele, o nosso único idioma…

Alexandra Santos, in Palavras Sussurradas, Chiado Editora, 2014

Arte de Vugar Muradov

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O arco e o anel dos teus braços

Outubro 9, 2014

O arco e o anel dos teus braços resplandecentes e frescos
Uma aventura de primavera ns ardores do estio
Verde nos prados brancos
De esperança e de orvalho cravejada.

Não nos esqueçamos do rouxinol
Nem do jogo de xadrez escondido no areal
Nem das ossadas dos mortos
Nem das folhas murchas que entraram
Na eternidade de Dezembro.

Um olhar amplo como o silêncio
Nesse instante chegamos à vida
Paraíso dos olhos o amor não tem limite
Confiança de há muito intacta
Braços pródigos abraços renovados
À mesa das utopias felizes

Como se os dois fossemos os únicos sobre a terra
Mais o sorriso de nossos gestos simples.
Podemos ter a audácia
De nada esquecer
Juras sem motivo tudo estando prometido
Desde a eternidade
Nada temos para inventar.

E o todo está entregue à nossa iniciativa em tudo.

Paul Éluard, in Últimos Poemas de Amor, tradução de Maria Gabriela Llansol (Relógio d’Água, 2002)

Arte de Emerico Imre Toth

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Este vento

Outubro 2, 2014

Sem ti
sou apenas este vento
que investe contra
as árvores
e as desfolha longamente
muito antes do outono.

Gonçalo Salvado, in Vento/ Viento,

Antologia de Poesia Ibérica, Celya, 2004

Arte de Alexandra Levasseur