Archive for the ‘Alexandre O’Neill’ Category

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O teu nome

Agosto 27, 2013

Flor de acaso ou ave deslumbrante,
Palavra tremendo nas redes da poesia,
O teu nome, como o destino, chega,
O teu nome, meu amor, o teu nome nascendo
De todas as cores do dia!

 Alexandre O’Neill ,

in TEMPO DE FANTASMAS (1951), in POESIAS COMPLETAS 1951/1986 (INCM, 3ª ed. , 1995)

Imagem: Richard Burlet’s Art

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A meu favor

Agosto 21, 2013

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos

Alexandre O’Neill 

Faz hoje anos que faleceu (19 de Dezembro de 1924 -21 de Agosto de 1986)

Imagem: Francoise Nielly

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Se eu pudesse dizer-te

Fevereiro 18, 2010

Se eu pudesse dizer-te: — senta aqui

nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,

ó amável bichinho, o pêlo fino;

depois, a contra-pêlo, provocar-te!

Se eu pudesse juntar no mesmo fio

(infinito colar!) cada arrepio

que aos viajeiros comprazidos dedos

fizesse descobrir novos enredos!

Se eu pudesse fechar-te nesta mão,

tecedeira fiel de tantas linhas,

de tanto enredo imaginário, vão,

e incitar alguém — Vê se adivinhas…

Então um fértil jogo amor seria.

Não este descerrar a mão vazia!

Alexandre O´Neill

Imagem:  Duy Huynh

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Nesta curva

Maio 27, 2009

Nesta curva tão terna e lancinante

que vai ser que já é o teu desaparecimento

digo-te adeus

e como um adolescente

tropeço de ternura

por ti.

Alexandre O’Neill

Imagem: Jay Alders

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O amor é o amor *

Julho 23, 2008

O amor é o amor- e depois?!

Vamos ficar os dois

a imaginar, a imaginar?…

O meu peito contra o teu peito,

cortando o mar, cortando o ar.

Num leito

há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos

sem destino, sem medo, sem pudor,

e trocamos- somos um? somos dois?-

espírito e calor!

O amor é o amor- e depois?!

Alexandre O’Neill

Arte de Angela Felipe

* Um dia recitei-te este poema