Archive for the ‘Pedro Mexia’ Category

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Blow up

Fevereiro 16, 2013

Tenho fotografias que provam

que nunca exististe

Pedro Mexia

Imagem: Paul David Bond
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Paráfrase

Junho 11, 2012

Este poema começa por te comparar
com as constelações,
com os seus nomes mágicos
e desenhos precisos,
e depois
um jogo de palavras indica
que sem ti a astronomia
é uma ciência infeliz.
Em seguida, duas metáforas
introduzem o tema da luz
e dos contrastes
petrarquistas que existem
na mulher amada,
no refúgio triste da imaginação.

A segunda estrofe sugere
que a diversidade de seres vivos
prova a existência
de Deus
e a tua, ao mesmo tempo
que toma um por um
os atributos
que participam da tua natureza
e do espaço criador
do teu silêncio.

Uma hipérbole, finalmente,
diz que me fazes muita falta.

Pedro Mexia

Imagem: Jackie Ludtke

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Janeiro 20, 2010

Nas estantes os livros ficam

(até se dispersarem ou desfazerem)

enquanto tudo passa.

O pó acumula-se e depois de limpo

torna a acumular-se no cimo das lombadas.

Quando a cidade está suja (obras, carros, poeiras)

o pó é mais negro e por vezes espesso.

Os livros ficam, valem mais que tudo,

mas apesar do amor

(amor das coisas mudas que sussurram)

e do cuidado doméstico fica sempre, em baixo,

do lado oposto à lombada,

uma pequena marca negra do pó nas páginas.

A marca faz parte dos livros.

Estão marcados.

Nós também.

Pedro Mexia

Imagem: Vladimir Kush