Archive for Fevereiro, 2010

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E nisso haver. E nisso persistir.

Fevereiro 22, 2010

E nisso haver. E nisso persistir.
Pensar perder-me em nada diluído
pela bola de neve que me desses
instantânea mas branca. Conseguir
amores de bruma e de estampido
num espaço que não sei e onde teces
a tua tempestade.

Correr a mão
pelo corpo que tens em tempos quedos,
deixá-la ir pelos agostos fartos
pelas horas de ceifas e de verão.
Deixar que a tua pele me guie os dedos
para chegar aos olhos e fechar-tos.

Pedro Tamen

Imagem: Lisa G.

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A Marte

Fevereiro 21, 2010

Acordei de manhã
Ainda meio baralhado
De teres sido tu a estrela
Daquele filme alugado

Deixámos o Bruce Lee
Entregue às artes marciais
Quando olhaste para mim
Sem efeitos especiais

A Marte, vou a Marte
Se é o que tu queres

Eu vou a Marte! (…)

João Só e Abandonados

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Trono

Fevereiro 20, 2010

Pus-te num trono, que é o lugar onde
deve estar quem se ama, esse lugar
da alma que, sendo íntimo, não esconde
a aparência de altar
de uma igreja singular.

Mas, como a crença é sempre vacilante
e não se pode ter por adquirida,
hás-de saber que nada nos garante
que eu fique a venerar-te toda a vida.

Torquato da Luz

Arte de Andrei Protsouk

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Ode da pele

Fevereiro 19, 2010

arrepia

só de pensar que respiras

Ana Salomé

Imagem: Duy Huynh

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Se eu pudesse dizer-te

Fevereiro 18, 2010

Se eu pudesse dizer-te: — senta aqui

nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,

ó amável bichinho, o pêlo fino;

depois, a contra-pêlo, provocar-te!

Se eu pudesse juntar no mesmo fio

(infinito colar!) cada arrepio

que aos viajeiros comprazidos dedos

fizesse descobrir novos enredos!

Se eu pudesse fechar-te nesta mão,

tecedeira fiel de tantas linhas,

de tanto enredo imaginário, vão,

e incitar alguém — Vê se adivinhas…

Então um fértil jogo amor seria.

Não este descerrar a mão vazia!

Alexandre O´Neill

Imagem:  Duy Huynh

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Indiferença

Fevereiro 16, 2010

Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.

Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado

Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.

Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!

Guilherme de Almeida

Imagem: Tatiana Struchkova

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Romance

Fevereiro 16, 2010

E cruzam-se as linhas

no fino tear do destino.

Tuas mãos nas minhas.

Guilherme de Almeida

Imagem: Nicoletta Tomas Caravia