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Suave

Fevereiro 28, 2009

Sincera como as crianças

falas com o corpo todo.

Ainda quando descansas

há peixes vivos no lodo.

Recebem-me as tuas pernas,

durmo encostado ao teu braço,

tuas rudes frases ternas

lavam o rumo que faço.

Se neste Inverno me alargo

pelos caminhos adversos,

és tu o café amargo

que aquece o peito aos meus versos.

O teu sorriso perfeito,

mais leve que um voo de ave,

é o leito em que me deito,

suave, suave, suave, suave.

Vasco Costa Matos

Imagem: Françoise Groulleau

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