Archive for the ‘José Régio’ Category

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Cântico

Junho 30, 2010

Num impudor de estátua ou de vencida,
Coxas abertas, sem defesa…, nua
Ante a minha vigília, a noite, e a lua,
Ela, agora, descansa, adormecida.

Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
Meu olhar doce desce aonde o sexo estua.
Choro… e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
Sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos…,
Enquanto o luar a nimba, inerte, gasta
Da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos…
E eu pouso a boca, religiosa e casta,
Sobre a flor esmagada do seu sexo.

José Régio

Imagem: Franco Anselmi

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O 1.º recital sem “minha amada”

Maio 26, 2008

Soneto de amor

Não me peças palavras, nem baladas,

Nem expressões, nem alma… Abre-me o seio,

Deixa cair as pálpebras pesadas,

E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,

Nossas línguas se busquem, desvairadas…

E que os meus flancos nus vibrem no enleio

Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua…- unidos,

Nós trocaremos beijos e gemidos,

Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois…- abre os olhos, minha amada!

Enterra-os bem nos meus; não digas nada…

Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio