Archive for the ‘Luísa Dacosta’ Category

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Fatalidade

Julho 18, 2014

Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.

Como prender-te
em teia tão frágil?

Luísa Dacosta, in A Maresia e o Sargaço dos Dias

Arte de Michael Klein

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Negação

Março 4, 2014

O rio do teu corpo
não me foi margem.
Só na noite interior
das minhas pálpebras
provei a tua boca

Luisa Dacosta, in  in A Maresia e o  Sargaço dos Dias (Asa II, 2011)

Arte por John Worthington

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O tu e o eu na paisagem

Março 1, 2014

Não é o restolhar do vento.
É a tua lembrança
que se ergue em mim.

Não é a rosa do sol a esfolhar-se.
É a minha boca -sede e romã-
que sangra na tarde.

Não é a noite que desce.
É a sombra dos teus olhos
a fechar o horizonte.

Luísa Dacosta, in A Maresia e o sargaço dos dias (Asa II, 2011)

Arte por Chaline Ouellet

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Fatalidade

Julho 13, 2012

Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
… Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.

Como prender-te
em teia tão frágil?

Luisa Dacosta

Imagem: Almada Negreiros

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Apelo

Agosto 21, 2008

Atravessa os caminhos da noite

e vem.

Nas fontes, vivas,

do meu corpo

saciarás a tua sede.

Os ramos dos meus braços

serão sombra rumorejante

ao teu sono, exausto.

Atravessa os campos da noite

e vem.

Luísa Dacosta, 

in CEM POEMAS PORTUGUESES NO FEMININO, (Terramar, 2005)

Arte de Steven DaLuz