Archive for Dezembro, 2009

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Transparência

Dezembro 22, 2009

Na tua boca sem dizer uma palavra

Soletrei em todas as línguas a palavra amor

Sobre a tua pele desenhei, sem saber desenhar

Todos os contornos que tem o prazer

E por ser silêncio a palavra foi mais pura

E por ser transparente o gesto ficou gravado

Encandescente

Imagem: Manuel  Dominguez Guerra

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Feliz Natal

Dezembro 21, 2009

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Tudo

Dezembro 20, 2009

Como quem se perde no deserto

Eu perdi-me em ti.

Como quem está preso

Eu estou presa a ti.

És dualidade.

Deserto

Onde me perco

Oásis

Onde me encontro.

Prisão

Que me encerra

Liberdade

Presa em ti.

Encandescente

Imagem: Akzhana Abdalieva


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Que a noite venha e me cubra

Dezembro 19, 2009

Que a noite venha e me cubra

E que a noite seja paz

E que a paz sejas tu

E a noite o teu corpo

E o teu sono o meu sono

A tua mão na minha mão.

Que a noite

Teu corpo sólido que procuro

E onde me escondo

Seja a noite dos amantes

Corpos que repousam

E encontram um no outro

Um novo amanhecer

Encandescente

Arte de Leonardo Vecchiarino

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Leio o amor

Dezembro 12, 2009

Leio o amor no livro

da tua pele; demoro-me em cada

sílaba, no sulco macio

das vogais, num breve obstáculo

de consoantes,

em que os meus dedos

penetram, até chegarem

ao fundo dos sentidos. Desfolho

as páginas que o teu desejo me abre,

ouvindo o murmúrio de um roçar

de palavras que se

juntam, como corpos, no abraço

de cada frase. E chego ao fim

para voltar ao princípio, decorando

o que já sei, e é sempre novo

quando o leio na tua pele.

Nuno Júdice

Imagem: Isabel Lhano

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Nome

Dezembro 7, 2009

Em nome da tua ausência

Construí com loucura uma grande casa branca

E ao longo das paredes te chorei

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem: Jean -Claude Forez

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Dobrou-se sobre ela

Dezembro 6, 2009

Dobrou-se sobre ela puxou-lhe fogo
Escancarou-lhe os olhos puxou-lhe fogo
Cerziu-se-lhe no peito puxou-lhe fogo
Tirou-lhe pó de cima puxou-lhe fogo
Sentiu-se tão pesado puxou-lhe fogo
Cobriu-a de ar; destapou-lhe a carne; mordeu.

Era fim de tarde era depressa era comprido
Verteu palavras tenras até já não ter voz
Chorou, soletrou-lhe o corpo membro a membro
E foi no soalho a solidão de a desventrar
Tremeu tremeu puxou-lhe fogo

E ela ardeu

Manuel Cintra

Arte de Sergio Cerchi